Citricultura - Pinta preta dos citros

 

A pinta preta dos citros é uma doença causada pelo fungo Phyllosticta citricarpa, sendo relatada pela primeira vez em 1895, na Austrália, afetando pomares de laranja 'Valência'.

Já em Conchal, a doença apareceu por volta de 1992, disseminando-se rapidamente por toda a região circunvizinha. Atualmente, todas as propriedades do município que cultivam citros enfrentam o problema, que tornou-se uma das principais doenças fúngicas da cultura. Embora não afete as qualidades internas do fruto, como porcentagem de suco, acidez, grau brix e ratio, os danos causados na produção e comercialização são evidentes.

Em função das condições climáticas favoráveis, a doença atingiu praticamente todas as regiões citrícolas do estado de São Paulo. Em alguns casos, o nível de severidade foi elevado, principalmente nas variedades com frutos de maturação tardia (Valência, Natal e Folha Murcha). A pinta preta dos citros é de difícil controle, exigindo várias pulverizações de fungicidas durante o ano (agosto/setembro até março/abril). Com as diversas aplicações, busca-se proteger os frutos enquanto ainda são suscetíveis ao ataque do fungo.

Pulverizações realizadas com fungicidas do grupo das estrobirulinas, em intervalos que variam de 35 a 42 dias, e fungicidas cúpricos em intervalos de 21 a 28 dias, constituem a principal estratégia de controle da doença. Essas pulverizações devem ser, necessariamente, realizadas com adição de óleo mineral ou vegetal à calda. Justifica-se: o óleo pode aumentar a eficiência dos fungicidas, reduzir a deriva, retardar a evaporação da gota e atuar como espalhante e adesivo, além de facilitar a penetração dos fungicidas.

Observação muito importante: não existe uma “receita de bolo” para o controle eficiente da pinta preta dos citros (mais de 80% dos frutos tratados com fungicidas sem sintomas da doença). Cada propriedade, assim como cada variedade cultivada, tem suas características agronômicas e isso se traduz em controles diferenciados, que podem resultar em melhores resultados. Por isso, o citricultor deve sempre procurar a orientação de um engenheiro agrônomo da área.

MÁRIO ROBERTO MORAES - Engenheiro Agrônomo